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Quão bons são os ciclistas Pro? Você aguenta o ritmo de um contrarelogio? As Altas montanhas? Vencer uma etapa – Parte 2

Qual é a força de um ciclista no tour du france? Tu achas que consegues acompanhar o ritmo dos melhores? Sim? Não? Qual é afinal a diferença entre um bom ciclista de fim de semana e um ciclista profissional do UCI world tour? Bem vindo à segunda parte deste especial Desporto&Esport

A primeira parte da matéria pode ser vista aqui!!!

Mas antes de irmos aos dados, aos cenários e as respetivas conclusões vamos relembrar novamente alguns termos e a tabela com os diferentes competências (até porque pode não ter lido a primeira parte do texto) :

A potência média é simplesmente a quantidade média de energia (em watts) que foi produzida para um determinado esforço.

O poder normalizado é uma maneira mais realista de representar a carga de trabalho do ciclista do que a potência média e pode ser expressa como “o poder que um ciclista poderia ter mantido para o mesmo” custo “fisiológico se seu poder tivesse sido perfeitamente constante.

TSS: Training Stress Score é uma medida da intensidade e duração do esforço. Um TSS de 100 representa um esforço de 100%, por hora.

Watts-per-kilo (W / kg) é a potência de um ciclista para um determinado esforço, dividido pelo seu peso. Isso fornece uma medida útil para comparar pilotos de diferentes habilidades e pesos.

Por exemplo, um ciclista que pesa 90kg pode ser capaz de empurrar 300 watts por 10 minutos, enquanto um piloto que pesa 70kg pode manter 270 watts ao mesmo tempo, mas vai bem mais rápido. Isso ocorre porque o ciclista de 90kg está em 3.3 W / kg, enquanto os 70kg  vai em 3.85 W / kg e uma maior relação potência / peso corresponde a uma velocidade maior, especialmente na subida.

Vamos então aos números: a tabela abaixo mostra os índices de poder para peso que você provavelmente verá para esforços de diferentes durações, em diferentes níveis de competência (o quadro Training Peaks):


Assumidos estes números, vamos então olhar para alguns cenários para melhor percepcionar as diferenças entre os ciclistas profissionais e os ciclistas amadores:

Ganhar uma etapa ao sprint no… Giro, Tour ou Vuelta

Fernando Gaviria foi o homem rápido neste especial #Giro100. Foi ele que ganhou mais vezes nas chegadas ao sprint. E ganhou a 5 etapa, a etapa que vamos analisar:

As estatísticas de Gaviria para o sprint final foram:

Tempo: 20 segundos Velocidade
Velocidade: 65 km / h
Velocidade máxima: 67,8 km / h
Potência: 934 W (13,34 W / kg)
Potência máxima: 1.339 W (19,13 W / kg)

Para além disso, e embora o colombiano tenha permanecido na retaguarda da sua equipa na aproximação acelerada à meta,  ele ainda foi aos 340W (4.86 W / kg) por sete minutos. Estes números colocam Gaviria na categoria “excepcional” (ou seja, domésticos pro) do quadro acima, mas a realidade é que nem sempre o sprint é sobre o poder (pode saber mais do tema aqui, no especial Giro100).

Sam Bennett (Bora-Hansgrophe) que ficou no 3 posta desta mesma etapa foi quem alcançou os números mais elevados. O irlandês chegou à potência de 965 W (13.99 W / kg) para o últimos 20 segundos.

Uma vez mais o ponto-chave é o que os melhores ciclistas amadores conseguem chegar até perto destes valores. Eles conseguem chegar perto de 17 W / kg o que não difere muito dos 19 W / kg de Gaviria. Mas conseguem apenas após uma hora de corrida, encontrando um decrescimo acentuado após os primeiros 60 minutos. Então, para um ciclista amador, por muito bom que seja, vencer ao sprint uma etapa é uma pura miragem depois de várias etapas numa grande prova e depois de mais de 150km e várias horas  de prova. Os Profissionais são de outro nível.

Superar as montanhas… terminar uma Grande Volta em um lugar que não envergonhe 

A maior diferença entre profissionais e amadores pode ser vista nas altas montanhas. Todos nós sabemos isso! Então, para se terminar uma grande volta é preciso passar por elas, e para terminar num lugar de destaque é preciso saber subir com qualidade.

Vamos olhar para os dados de Michael Valgren da Etapa 20 do Tour de France de 2016.

A 20 etapa foi uma super etapa, como quase sempre acontece no final da Grande volta a frança. 4 subidas categorizadas no menu. Valgren atingiu seu pico de potência de cinco minutos na  primeira subida, com apenas 30 minutos de prova. Ele obteve uma média de 403 W (5,57 W / kg), o que o coloca na excelente categoria (nível A) no quadro Training Peaks.

Os amadores da série A e até mesmo os profissionais estarão no limite para produzir esse poder quando estão frescos, enquanto Valgren conseguiu este nível após 20 dias para o Tour de France.  Mas este nivel não foi suficiente para vencer atapa. Ou até para um lugar de destaque.

A melhor potência de 40 minutos de Valgren do dia surgiu na subida final . Ele produziu 335W a 4.63 W / kg, que o levou para o 44º lugar final, a 12 minutos para o vencedor da etapa Ion Izagirre. Para vencer essa etapa, Valgren precisaria ter produzido 5,9 a 6,0 W / kg por 30 a 45 minutos.

Para ganhar o Tour de France, você precisa fazer isso três ou quatro vezes ao longo de um dia de cinco a seis horas nas montanhas, uma e outra vez.

Isso mostra que não há apenas uma enorme lacuna entre profissionais e amadores, mas também uma grande diferença entre os melhores profissionais e aqueles não tão bons. E Valgren ganhou o Tour da Dinamarca apenas uma semana depois da última etapa do Tour.

No fim, és sempre tu contra o relógio… vences um contrarelogio? Ou ficas vários minutos atrás? Ou dezenas de minutos? 

Na teoria os contrarelogios e ainda mais os prólogos seriam onde menos diferenciam se devem encontrar entre os ciclistas profissionais e os ciclistas amadores. Provas curtas, onde entras fresco das pernas e sem nenhum esforço extra. Mas a realidade mostra que a lógica nem sempre acompanha a realidade.

Vamos olhar para o Luke Durbridge no Tour de France de 2015  em Utrecht – prólogo técnico de 13,8 km. Durbridge atingiu uma média de 445 W (5,85 W / kg) na etapa o que o coloca na categoria de “Classe Mundial” no gráfico Training Peaks.

Durbridge terminou… apenas na 32º posição, 46 ​​segundos abaixo em seu compatriota e vencedor, Rohan Dennis (BMC).

É claro que para ser competitivo em uma prova de tempo WorldTour, tu precisas de estar no mais alto da atebela e tens de estar numa potência média de  6 W / kg. Mas não chega. A aerodinâmica é tão ou mais importante e a tecnica demora anos e anos a dominar. Um amador dificilmente tem as horas e horas necessárias para aperfeiçoar a posição para reduzir a sua área frontal, para dar um exemplo.

Após este dados, em que nível é que se encontra? Conseguia alguma vencer alguma etapa? 

Ref: Tabela, dados e conclusões derivam do texto de Matt de Vroet, 2017, “just how good are male pro road cyclists?”, The Beuty of cycling, CyclingTips 

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