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O pensamento positivo é um Veneno para os inseguros – psicologia desportiva

Dizem que o pensamento positivo é muito útil para melhorar a autoestima. E com melhor autoestima, maior o rendimento desportivo. Certo?

Na realidade não!

“O pensamento positivo” faz as pessoas inseguras que vivem momentos difíceis sentirem-se ainda mais vulneráveis. Foi o que demonstrou uma investigação dos psicólogos canadianos W.Q. Elaine Perunovic, Joanne V. Wood e John W. Lee.

Numa experiência, pediram a dois grupos de pessoas (um formado por pessoas com uma elevada autoestima, outro por indivíduos com fraca opinião de si próprios) que repetissem uma frase clássica do positivismo: “Sou uma pessoa digna de apreço.”

Depois de avaliar o estado anímico dos participantes, constataram que os do segundo grupo se sentiam muito pior do que antes de se iniciar a experiência. Tal como nos acontece quando ouvimos elogios irreais que nos soam a compaixão e nos entristecem, quem estiver a passar por uma fase de baixa autoestima tem mais consciência das suas limitações para resolver o problema ao ouvir repetir frases como “aceito-me tal como sou”, pois não consegue enganar-se a si próprio.

Ao invés, a experiência demonstrou o potencial do que poderíamos designar por “pensamento negativo”: quando os psicólogos permitiram aos participantes com baixa autoestima exprimir ira, tristeza ou ansiedade relativamente ao futuro, o seu estado de ânimo melhorou significativamente.

Isto enquadra-se exatamente na ditadura dos sentimentos positivos

No livro Sorri ou Morre – A Armadilha do Pensamento Positivo, Barbara Ehrenreich critica o que considera ser uma ditadura dos sentimentos. Reivindica o direito a zanga e argumenta que a tristeza, a ira, o temor, o cinismo e uma atitude de desafio contribuem para mudar o que não funciona.

Os sentimentos negativos (logo a partida, é curioso classificarmos assim as emoções que não aceitam o que está a acontecer) serviram ao ser humano para alterar o rumo dos acontecimentos. Se o que ocorre não nos agrada, sentimos tristeza, olhamos para o outro lado e procuramos novos caminhos. Quando nos sentimos zangados e o dizemos, aqueles que estavam a humilhar-nos afastam-se ou come- çam a respeitar-nos. Ter medo serve para não nos metermos em sarilhos…

A negatividade é sempre o início da mudança. É por isso que as histórias que livros e filmes nos contam começam tantas vezes com um conflito que, depois, acaba bem. Ninguém pegaria num argumento de constante positivismo, pois a felicidade não tem história. Como diz Barbara Ehrenreich, os autores dos livros de autoajuda são os únicos idealistas a acreditar que podemos saltar por cima dos episódios conturbados e ir diretamente para o final feliz.

Tenha atenção a isso!

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