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Influência do clima motivacional e coesão de grupo para o sucesso no Futsal

A motivação é um dos construtos mais discutidos na Psicologia, tanto em estudos científicos como em interpretações do senso comum. Deci e Ryan (1985) ¹ resumem de forma suscinta que a motivação refere-se ao “porquê” da questão do comportamento. Este propôs uma definição simplista mas mostra realmente o motivo que nos leva a fazer alguma coisa:

“Por que fazemos o que fazemos”.. De acordo com Carron, Brawley, e Widmeyer (1998) ², a coesão é “um processo dinâmico que se reflete na tendência de um grupo para ficar junto e permanecerem unidos na busca dos seus objetivos instrumentais e / ou para a satisfação das necessidades afectivas.

Com esta definição Carron, Brawley e Widmeyer (1985) avançaram para um modelo conceitual para a coesão que distinguiu dois tipos predominantes de cognições: a primeira refere-se a perceção de um indivíduo para a atração no grupo, que assume a designação de Integração do Grupo (IG) e a segunda diz respeito a perceção de um indivíduo no grupo como um todo, com a designação de Atrações Individuais em rela- ção ao Grupo (AIG).

A IG representa a proximidade, semelhança e ligação dentro do grupo como um todo. As AIG representam a interação dos vários motivos que levam o indivíduo a permanecer no grupo.

O questionário é baseado neste modelo de 4 dimensões:

Atração Individual para o Grupo em relação a Aspetos Sociais (AIG-S), indicam os sentimentos dos membros da equipa sobre a atração que sentem para o grupo quando este é visto como uma unidade social com as respetivas interações sociais; a Atração Individual para o Grupo em relação a Tarefa (AIG-T), refletem os sentimentos dos atletas do grupo em relação a produtividade do mesmo e aos objetivos e pretensões do grupo; a Integração do Grupo em relação aos aspetos Sociais (IG-S), transmite a perceção individual do membro da equipa sobre aspetos sociais existentes no grupo, que podem originar semelhança ou aproximação e por último, a Integração no Grupo em relação a Tarefa (IG-T), reflete a perceção individual que cada membro tem em relação ao grupo como um todo, tendo em conta as tarefas que implicam semelhança e/ ou aproximação.

No que diz respeito em relação a coesão e o desempenho/performance, os primeiros resultados foram bastante inconclusivos e não muito constante uma vez que vários estudos confirmaram a existência de relações negativas e também relações positivas (Carron 1977, Williams e Hacker, 1982)³.

Os treinadores devem tentar esclarecer os principais objetivos da temporada, tanto pessoal e coletiva, para os jogadores, a fim de criar expectativas que correspondem às possibilidades da equipa.

Em relação ao clima motivacional no desporto, existem várias teorias sociais que influenciam a motivação dos atletas no desporto. A Teoria dos Objetivos de Realização tem sido um dos contextos mais utilizados nas realizações conceituais, como a escola e os quadros para estudar a motivação no desporto. É um desenho a partir de uma visão sócio-cognitiva da motivação, a realização dos objetivo teóricos argumentam que as variações compreensão do investimento comportamental, desempenho, bem-estar psicológico, e as respostas afetivas em contextos de realização requer estudar os critérios que os indivíduos utilizam para julgar a competência e sucesso.

A Teoria dos Objetivos de Realização incide sobre os dois objetivos de realização individual e do contexto ou objetivo estruturas sociais que formam esses objetivos individuais. Fundamentada na AGT, dois climas principais foram identificados que refletem o trabalho de Ames.

Um clima maestria (orientado para a tarefa) é percebido quando os membros da equipa são direcionados para o auto-aperfeiçoamento, o treinador ou o pai enfatiza o aprendizado e progresso pessoal, o esforço é recompensado, os erros são vistos como parte da aprendizagem.

Em contraste, um clima ego é aquele que incentiva a comparação inter-individual e onde os erros são punidos e alta capacidade normativa é recompensado.

Conclusões

Relativamente ao estudo que se realizou nesta modalidade desportiva, podemos demonstrar que existem diferenças entre algumas variáveis entre as quais o Clima motivacional orientado para a tarefa e o IG-T (Integração Individual para o GrupoTarefa), o que vem realçar que um grupo onde haja um clima orientado para a tarefa será mais fácil para existir uma boa integração do atleta no seio do grupo, mostrando quando uma equipa se encontra unida/coesa, definiu bem os objetivos que queriam atingir no final da época e sendo assim existirá uma maior eficácia coletiva.

Podemos também constatar que um clima orientado para o ego vem comprovar que leva a resultados menos satisfatórios, pois o otimismo vai diminuindo ao longo da temporada e a Integração de o atleta no seio de um grupo é mais difícil e mais demorada num clima que está orientado para o ego e não para a tarefa. Este clima orientado para o ego não só tem uma correlação significativamente negativa com esta variável mas também com todas as outras, o otimismo e a coesão de grupo. Existe uma correlação significativamente positiva entre as variáveis Clima Motivacional orientado para a Tarefa e a coesão de grupo expecto na dimensão Atração Individual para o Grupo-Tarefa (AIG-T), indo ao encontro de outras investigações em que os níveis de coesão são mais baixos no final da temporada do que no início, porque, neste momento, os jogadores percebem que os objetivos a serem alcançados, quer a curto prazo como a longo prazo, e as variáveis que unem o grupo para atingir um melhor desempenho já não parecem tão importantes.

Resultados idênticos foram encontrados por outros autores no desporto como no andebol e basquetebol observando que todos os níveis dos fatores de coesão diminuíram com o desenrolar da época e com a chegada do final da mesma. Por último uma das grandes conclusões a retirar é que os treinadores devem tentar esclarecer os principais objetivos da temporada, tanto pessoal e coletiva, para os jogadores, a fim de criar expectativas que correspondem às possibilidades da equipa. Se as expectativas dos jogadores excederem as possibilidades da equipa, em seguida, os seus níveis de coesão e motivação podem diminuir e, portanto, o seu desempenho também deve reduzir. Se as metas a serem alcançadas são claramente definidas, as expectativas de cada jogador irão coincidir com as do grupo, e, desta forma, os níveis de coesão e de motivação devem ser mais constantes e o desempenho final da equipa poderá ser melhor.

Referências Bibliográficas ¹ Deci, E.L., & Ryan, R.M. (1985). Intrinsic motivation and self-determination in human behavior. New York: Plenum. ² Carron, A. V., Brawley, L. R., & Widmeyer, W. N. (1998). The measurement of cohesiveness in sportgroups. In J. L. Duda (Ed.), Advances in sport and exercise psychology measurement (pp. 213–226). Morgantown, WV: Fitness Information Technology. ³ Carron, A. V. Ball, J. R. (1977). Cause-effect characteristics of cohesiveness and participation motivation in intercollegiate hockey. International Review of Sport Sociology, 12, 49–60.

Tiago Tavares
Especialista em Psicologia do Desporto e Coaching desportivo, com pesquisa e artigos científicos publicados na área do tema abordado no texto [email protected]
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