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Corredores: Qual o risco de uma morte súbita cardíaca durante a corrida? (abordagem cientifica)

Muitos especialistas admitem abertamente que a prática regular de exercícios físicos vigorosos como as corridas, reduz consideravelmente os riscos de mortalidade. Executados de forma regular e em bases crónicas, tais exercícios têm-se de facto mostrado um factor de protecção considerável. indivíduos que mantêm essa prática parecem viver mais e melhor.

No entanto, nos últimos anos, diversos casos relacionados com paradas cardíacas geraram preocupação com a prática segura desta atividade. Por causa disso, generalizou-se  que as ocorrências de paradas cardíacas durante esses eventos – era de que as corridas representavam alto risco para o coração. Isto porque o esforço físico mais intenso predispõe a esses episódios por estar associado à perda de líquidos, tornando o sangue mais viscoso; por aumentar muito significativamente a pressão arterial e sobretudo, por exigir do coração um grande aumento de trabalho que precisa ser compatibilizado com uma irrigação de sangue adequada pelas artérias coronárias.

Mas, não é bem assim:

Os cientistas de Harvard analisaram paradas cardíacas sofridas entre participantes de maratonas ou meias maratonas nos Estados Unidos entre 1 de janeiro de 2000 e 31 de maio de 2010. De quase 11 milhões de corredores americanos de longa distância pesquisados, 59 tiveram parada cardíaca. Ou seja, a proporção foi de uma morte em cada 259 mil corredores, sendo que a maioria tinha uma doença cardíaca oculta. Quarenta paradas cardíacas ocorreram em maratonas e a idade média dos corredores foi de 42 anos. Os homens estavam em risco significativamente maior do que as mulheres; 71% das paradas cardíacas foram fatais( Baggish na revista New England Journal of Medicine)

Em outro estudo de 1997, foram analisados 8283 corredores, tendo-se comparados os que corriam mais de 80 quilómetros semanais com os que corriam menos de 16. A conclusão foi que os níveis de colesterol bom (HDU ofereciam 2,5 vezes mais proteção e davam 50% menos hipóteses aos atletas de longas distancias de sofrerem de hipertensão.

Para os médicos, corrida de longa distância é segura desde que você tenha condicionamento adequado, que ouça seu corpo e não tente prosseguir com dor no peito ou falta de ar e ainda não ignore fatores como o colesterol alto.

Sendo o coração um músculo e não havendo limites de distância ou esforço para as competições modernas e considerando que existem provas que levam o ser humano ao limite, é razoável que a estas sejam atribuídos riscos maiores e portanto, cuidados extras. No entanto, sob o ponto de vista prático, é muito difícil, quase impossível, afirmar que o risco de morte súbita é maior nas maratonas do que em provas menores. Não é a prova que determina o risco mas sim a situação clínica de quem a está fazendo e por isso é necessário mais cuidados é preciso ter com eventuais reposições líquidas, nutrientes e electrólitos, minimizando os riscos do esforço físico prolongado e vigoroso.

E, muito importante exames médicos regulares: o perigo não está na corrida ou no esforço, mas no atleta e em doenças pré existentes.

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