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Andebol: O que mudou no jogo nos últimos 20 anos?

Nada é mais importante que entender o jogo, e existem um lote de indicadores preestabelecidos também tem poder descritivo sobre a organização táctica ofensiva e defensiva no jogo de Andebol, essenciais para entender a evolução do andebol nos últimos 20 anos.  As seguintes conclusões derivam de um estudo académico para a faculdade do Porto, e apresentam as principais variações dos últimos anos:

Defensivamente:

  • quando associados, os indicadores relativos ao jogo defensivo em geral, alcançam níveis mais elevados em relação aos indicadores relativos ao jogo ofensivo, o que nos possibilita afirmar que os indicadores relativos ao jogo defensivo têm vindo a conseguir cada vez mais importância no quadro do sucesso desportivo do Andebol;
  • ao longo das últimas duas décadas tem-se verificado um aumento significativo dos níveis de eficácia dos indicadores relacionados com a recuperação da posse da bola sem golo sofrido, nomeadamente, origem do processo ofensivo por defesa e reposição do guarda-redes, interceptação, desarme, bloco e ressalto defensivo e por falha técnicotáctica do adversário;
  • verifica-se uma tendência para as equipas vencedoras utilizarem dois sistemas defensivos por jogo, geralmente, do tipo por zona e fechado, 6:0 e 5:1 e por zona aberto, 3:2:1 ;
  • os elevados níveis de perda da posse da bola por falhas técnico-tácticas estão directamente associados a forma “agressiva” e pressionante do jogo defensivo individual e colectivo;
  • existe uma correlação positiva entre o nível de eficácia do guarda-redes e o sucesso desportivo no Andebol;

Ofensivamente:

  • nas últimas duas décadas constata-se um aumento paulatino no número de processos ofensivos por jogo; • o número de processos ofensivos bem sucedidos é superior ao número de processos ofensivos fracassados, o que sugere uma clara tendência de aumento no número de golos por jogo;
  • forte tendência para se realizar a fase da finalização no corredor central do terreno de jogo e da zona entre os 9 e 6 metros, i.e., através de remate de curta distância;
  • constata-se uma elevada ocorrência de processos ofensivos fracassados, em virtudes do grande número de perda da posse da bola por remates falhados e por falhas técnico-tácticas;
  • o número de falhas técnico-tácticas tende a aumentar, provocado, sobretudo, pela excessiva utilização do Meio Táctico Individual – Remate Espontâneo;
  • a fase do jogo em assimetria numérica momentânea revelou uma tendência de estabilização na sua frequência de ocorrência;
  • os valores absolutos da eficácia ofensiva revelaram tendência decrescente, quando colocados em comparação com os valores da eficácia defensiva; • são muito redusidos os níveis de eficácia do Remate de Longa Distância como também do Remate de Meia Distância, o que não associa estes indicadores ao quadro do sucesso no Andebol;
  • o indicador de Eficácia de tiro de 7 metros demonstraram estreita associação com o resultado final do jogo;
  • os níveis de eficácia do Ataque Organizado tem se mantido estável ao longo das últimas duas décadas;
  • o número de contra-ataques por jogo tem se mantido estável. Porém seu contributo para o resultado final do jogo revelou-se importante na discriminação do vencedor da partida;
  • existe uma estreita associação entre os níveis de Eficácia Ofensiva em Superioridade Numérica e a vitória;
  • o estudo revelou um lote de indicadores que de forma hierarquizada, melhor traduzem o sucesso no jogo de Andebol, a saber: eficácia do ataque organizado (EAO); eficácia ofensiva (EO); eficácia ofensiva em superioridade numérica (EOSN) e a eficácia defensiva (ED);
  • existe um lote de indicadores que melhor traduz a organização táctica ofensiva e defensiva do jogo de Andebol. No âmbito deste estudo tal lote é formado por: ataque organizado (AtO), ataque rápido (AR), perda da posse da bola por golo marcado (PB1), meio táctico individual remate espontâneo (Mti1), meio táctico colectivo cruzamento (MTc2), origem do processo ofensivo por reposição do guarda-redes (OP02) e defesa em inferioridade numérica (FD outra).

Ref: Lucidio Rocha Santos “Tendências Evolutivas do Jogo de Andebol Estudo centrado na análise da performance táctica de equipas finalistas em Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos”, Dissertação apresentada às provas de doutoramento no ramo de Ciências do Desporto da universidade do Porto

 

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