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Andebol: Como o jogo tem mudado na última década? análise em estatística e em números

Na última década, o andebol como jogo tem sofrido profundas alterações, tornando-se cada vez mais rápido e dinâmico, e com um número cada vez maior de alternâncias entre as fases de Ataque e Defesa, o que em última instância tem aumentado o número de ataques realizados e o número de golos obtidos em cada jogo.

O Quadro 1, que pode ver abaixo, faz uma síntese dos principais Campeonatos da Europa apresentando os resultados médios e número de golos médio de cada uma das Competições

Como se pode observar, existe um claro aumento do número de golos ao longo dos anos. No entanto, houve um decréscimo a salientar de 2006 para 2008 (menos 3 golos por jogo em média). O número de golos mais reduzido éexplicado pela diminuição da eficácia ofensiva global das equipas durante a competição, apesar do número de ataques ter aumentado do Campeonato realizado na Suíça para o Campeonato realizado na Noruega. Um dos fatores que promoveram a evolução da modalidade foram as alterações regulamentares que tiveram como desfecho o aumento da velocidade de jogo, expresso no, já analisado, aumento de ataques e golos em cada jogo.

Destas aliterações salientam-se duas :

(i) a possibilidade de se reiniciar rapidamente o jogo após golo sofrido, sem que o adversário esteja no seu meio-campo defensivo e
(ii) a possibilidade do guarda-redes executar rapidamente a falta correspondente a uma violação da área de baliza, por parte de um dos seus adversários, em qualquer ponto da sua área restritiva.

Segundo diversos autores, estes dois pontos conjugados com um maior rigor, por parte das equipas de arbitragem, na aplicação de algumas regras, nomeadamente no caso do “Jogo Passivo”, “Faltas do atacante” e “Lei da Vantagem” levou a que o tempo disponível para o ataque fosse menor e que, com isso, se aumentasse o número de ataques e, consequentemente, o número de golos.

A isto soma-se menos pausas ao longo do jogo e os momentos de organização são mais curtos, o que tem tornado o jogo de Andebol cada vez mais rápido. As fases de transição – defesa para o ataque e deste para a defesa – têm assumido uma importância cada vez mais significativa no decorrer do jogo, sendo que a transição para o ataque já está associada à obtenção de cerca de 27,7% dos golos de uma equipa.

Por tudo isto a transição rápida para o ataque como um meio ofensivo cada vez mais privilegiado pelas equipas.

Um estudo recente de Silva de 2008 e que pode consultar a fonte mais abaixo, aponta que os diferentes métodos de jogo relacionados com a transição rápida são, de uma forma geral, ativados por situações em que a posse de bola fica imediatamente disponível e controlada pela equipa que vai atacar. São exemplos destas situações, não só as faltas técnicas cometidas pelo adversário, mas também os ressaltos após defesa do guarda-redes, as interceções de bola ou a ação de bloco efetuada pela defesa.

À semelhança do que aconteceu com o Ataque, o processo defensivo também sofreu, nos últimos anos, uma evolução assinalável. Cada vez mais se procura abandonar a ideia que a defesa deve ser um processo passivo em que o seu único objetivo é impedir o golo adversário. No andebol moderno, os defensores têm um papel cada vez ativo e determinante, pois o seu principal objetivo passa por recuperar a posse de bola, pelo que exercem uma pressão constante sobre a equipa atacante no sentido de promover a rutura do jogo ofensivo do adversário.

Os sistemas defensivos e de ataque:

No que se refere aos sistemas defensivos, a defesa 6:0 é a mais utilizada, seguida do sistema defensivo 5:1, sendo que, apesar de haver um ponto inicial comum entre algumas defesas, os comportamentos adotados podem ser muito variados. Deste modo, podemos afirmar que existem diversas interpretações de um mesmo sistema defensivo e que cada uma das equipas adota os procedimentos que se enquadram no seu modelo de jogo.

No entanto, apesar de haver esta procura incessante pelo golo através das diferentes formas de transição, ainda existe um claro predomínio das ações de jogo nas fases de Ataque e Defesa em sistema, que é comprovado pelo elevado número de ataques finalizado nesta fase – 73%.

Nesta fase do processo ofensivo, as ações individuais ou de grupo (dois ou três jogadores) predominam quando em comparação com as movimentações coletivas, sendo que, a estas ações apenas está associado um terço das finalizações com êxito. Muito autores sustentam que  defendem que com o avançar da competição, a rigidez dos procedimentos táticos vai sendo substituída por uma forma de jogar em que as qualidades técnico-táticas individuais se sobrepõem ao desenvolvimento meramente coletivo. A realidade, mostra mesmo que a tática de grupo, as combinações envolvendo todos os elementos da equipa têm vindo a desaparecer, sendo substituídas por ações individuais ou relações entre dois ou três jogadores, tornando o jogo num processo ainda mais dinâmico.

Como síntese, parece plausível afirmar que o Andebol está a ser jogado de uma forma cada vez mais rápida tanto na defesa como no ataque, pelo que tem havido uma maior importância dos métodos de jogo ofensivos incluídos na transição rápida para o ataque, bem como, da recuperação defensiva e defesa zonal temporária . Os tempos de ataque são cada vez mais curtos, raramente ultrapassando os 30 segundos, e são suportados em execuções individuais ou pequenas ações de dois ou três jogadores. O jogo torna-se muito dinâmico, sendo fruto das capacidades táticas e técnicas dos jogadores, bem como da variabilidade, versatilidade e adaptabilidade das suas ações.

Fonte: Silva, J. (2008). Modelação Táctica do Processo Ofensivo em Andebol. Estudo de situações de igualdade numérica, 7 vs 7, com recurso Análise Sequencial. Porto: J. Silva. Dissertação de Doutoramento apresentada Faculdade de Desporto da Universidade do Porto; Veloso, J. (2008). Sistemas defensivos no andebol de alto nível: um estudo com recurso análise sequencial. Porto: J. Veloso. Dissertação de Licenciatura apresentada Faculdade de Desporto da Universidade do Porto; Luis Silva Análise do ataque em sistema em equipas masculinas de Andebol de alto nível, tese de mestrado Faculdade de Desporto da Universidade do Porto 2011

 

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